sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Ressuscitando mortos

Terminadas as eleições municipais de 2008, ficam postas as cartas na mesa para a corrida presidencial de 2010. O PMDB mostrou mais uma vez porque é tão importante no cenário político, apesar de há algum tempo não concorrer à presidência com candidatura própria. Obteve o maior número de prefeituras e importantes capitais, como Salvador, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Com isso mais uma vez estará em condição privilegiada para negociar seu apoio nas eleições de 2010. Será cobiçado por todos e assim tará vantagens pós-eleições. O PMDB talvez seja um retrato fiel do Brasil: tão grande, mas insiste em se apequenar, em sair da linha de frente, em não se posicionar. Foi picado pela "mosca azul do poder" e é um dependente crônico agora. Fará a aliança que apresentar maior possibilidade de vitória. O PSDB não apresentou crescimento significativo, mas deu passos importantes rumo à 2010. José Serra mostrou muita força interna ao bancar a candidatura de Kassab, mesmo com Alckmin no páreo. E se deu bem. Enquanto isso, Aécio Neves conseguiu uma improvável aliança entre PT e PSDB, conseguindo eleger um candidato do PSB no segundo turno em Belo Horizonte. Serra sai mais fortalecido, mas Aécio tem a seu favor o fato de não poder mais se reeleger ao governo de MG, enquanto Serra pode tentar a reeleição em SP. Falam de uma chapa com Serra presidente e Aécio de vice, o que acho improvável. Mas Aécio terá de usar toda sua habilidade conciliatória para convencer seu partido. O PT manteve um crescimento, mas o sentimento é de derrota no gral, principalmente por causa de Porto Alegre e São Paulo.Lula não conseguiu transformar sua popularidade em votos aos candidatos petistas. Agora o partido que tinha tudo para ser "extinto" nessas eleições, ressurgiu das cinzas simplesmente com a prefeitura da maior cidade do país: São Paulo. O DEM não obteve nenhuma outra capital e não possui nenhuma liderança nacional. Mas com o apoio de Serra, um programa eleitoral extremamente eficaz, uma rejeição inexplicável da adversária marta Suplicy, produziu-se uma nova liderança do DEM: Gilberto Kassab. O marketing político conseguiu transformar um quase anônimo em um político competente, que "resolve" os problemas da cidade. Junte-se a isso a vocação conservadora e o sentimento "anti-PT" de São Paulo. Pronto, o partido da direita que respirava por aparelhos tem uma súbita melhora e volta a ter força no cenário político. No Rio de Janeiro, outro marketeiro conseguiu produzir um político do nada, a assim Eduardo Paes é eleito prefeito. Mas a maior lição veio de seu opositor, Fernando Gabeira, do PV. Gabeira mostrou que é possível sim fazer política de outra forma. Com uma honestidade e sinceridade incomuns aos políticos, Gabeira foi ao segundo turno e por muito pouco não se elegeu. Com certeza a abstenção recorde de 24% na capital carioca foi determinate para sua derrota. Derrotado nas urnas, mas vitorioso como político, um exemplo a ser seguido de respeito ao eleitor e vontade de melhorar a vida dos cidadãos.

2 comentários:

Andrei disse...

“Em inteligente lance, a direita seqüestrou a candidatura Gabeira e o transformou em uma instalação: para ser visto, não para ser ouvido. O candidato Gabeira não tinha nada a oferecer como programa, porque não entende nada da cidade. Mas a mídia comentava seu terno príncipe-de-gales, os 15 minutos parados em frente a uma sapataria no Méier, e consagrava o vazio de seu discurso como um novo modo de fazer política – o modo da instalação”.

Foi isso o que disse Wanderley Guilherme dos Santos sobre Gabeira.

e de uma olhada: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/forum/Post.aspx?id=731

abraços

Claudiana disse...

Fadul,

Que bela análise política, que orgulho, logo direi: sabe o Fadul!? Estudou comigo! hahaha.Serra e Aécio, arguiiiiiiii
No caso do Gabeira, defendo que nós ( "votantes" de outros estados)pudéssemos também votar =)
Beijos